Linha do tempo 

pistas da história do trabalho social de Vigotski

Pistas da história russa e soviética

no cenário internacional 

 

1896:

Pistas da história do trabalho social

de Vigotski em psicologia 

 

1896: Em 5 [17] de novembro, nasce Lev Semionovitch Vigodski [Лев Смёнович Выгодский] (1896-1934) na cidade de Orsha, Bielorrússia. Foi o segundo filho mais velho, dentre os que teria o casal judeu: Semion L’vovitch Vigodski (1869-1931) e Cecília [Tsetsilia] Moiseevna Vigodskaia (1874-1935) [nota 1]. Sua irmã, cerca de ano e meio mais velha, chamava-se Anna Semionova Vigodskaia (1895-1935), e se considerava que tinha talento para a arte literária. Ao todo, o casal viria a ter oito filhos, cinco meninas e três meninos, nascidos em intervalos de um e meio a dois anos. Após Anna Semionova Vigodskaia (1895-1935) e Lev Semionovitch Vigodski (1896-1934), nasceram Zinaída Semionova Vigodskaia (1898-1981), Ester Semionova Vigodskaia (1899-1969), Klavdia Seminova  Vigodskaia (1904-1977), David Semionovitch Vigodski (1905-1919) e Maria Semionova Vigodskaia (1907-1990). Do outro menino ainda não temos informações. A alteração da grafia do sobrenome para “Vigotski” [Выготский], foi feita somente por Lev Semionovitch, bem mais tarde, com adesão de sua esposa. Mas nem mesmo o nome de suas filhas é grafado assim. Segundo alguns estudiosos, isso ocorreu por ele ver a origem remota de seu nome de família como relacionada ao nome de uma aldeia chamada “Vigotogo” (cf. Wertsch, 1985).

Mapa e imagem da cidade de Orsha.

Cecília [Tsetsilia] Moiseevna Vigodskaia, era “professora por formacão” — fluente em alemão e francês, segundo registram sua neta Guita Vigodskaia e a historiadora Tamara Lifanova (1996/1999a). O que convida a aprimorar as explicações sobre Vigotski “não poder” fazer um curso superior cuja habilitação o torna-se professor, por tal posição social ser proibida aos judeus. Ou bem a formação seria permitida ainda que não o exercício. Ou bem as leis que regiam o ensino superior no período de graduação de Cecília Moiseevna teriam sido modificadas após sua formação e antes do período de seu filho vir a ingressar na universidade. As biógrafas de Vigotski consultadas apenas sugerem que sua mãe “não trabalhava em sua área de especialização, uma vez que estava ocupada com o lar, a família e os cuidados com as crianças” (Vygodskaia e Lifanova, 1996/1999a, p. 25). Restrição que se deveria, portanto, mais a uma questão de gênero que de perseguição étnica.

 

Semion L’vovitch Vigodski era graduado pelo Instituto Comercial de Kharkov e foi funcionário de bancos por “toda sua vida”. Sendo considerado um profissional com mérito. Além disso, teve destaque em Gomel’ por suas atitudes cívicas. Foi, por exemplo, um dos organizadores de uma sociedade cultural que construiu uma biblioteca pública considerada de excelência. A qual foi utilizada por Lev Semionovitch no seu tempo de ensino médio. Além disso é notória sua participação, em campo, na auto-defesa da cidade contra os ataques anti-semitas. Sendo membro ativo da “Sociedade para Defesa e Segurança da População da Cidade” — formada em 1903. Suas características morais responsáveis para com o bem estar dos mais próximos também são mencionadas. Como a de assumir total responsabilidade e deu suporte efetivo a toda a família de seu irmão doente, sua cunhada e três sobrinhos. (cf. Vygodskaia e Livanova 1996/1999a). Outro ponto marcante lembrado sobre a sensibilidade de Semion L’vovitch é o de que, mais tarde (sem datação exata), notará a paixão do filho Lev Semionovitch por filosofia. E, de uma de suas viagens a negócios, lhe trará seu primeiro exemplar do livro “Ética”, de B. Espinosa (1632-1677). Indício de que tal leitura é precoce na vida do futuro psicólogo, antes de ingressar na universidade e bem antes de o marxismo ser adotado na Rússia como doutrina filosófica oficial e obrigatória.

NOTA 1

 

Mudanças de prenomes para judeus russos

 

O prenome de nascença do pai de Vigotski foi modificado de Simkha (Симха) para Semion (Семён), assim como o de sua mãe de “Tsilia” (Циля) para “Tsesilia” (Цецилия). Trata-se de uma questão étnica certamente. Vale lembrar o quanto é flutuante, por exemplo, a forma de se nomear o primeiro nome do pensador de origem judaica Espinosa (ou Spinoza): pode-se dizer Baruch, Bento, Benedictus… Porém não podemos dizer com precisão como isso é determinado em cada país, e qual seria a regra para a Rússia Imperial. Aportuguesando, o nome “Semion” para nós poderia ser “Simão”. E “Tsetsília”, certamente se diria e escreveria Cecília. Assim também “Lev”, em português seria “Leo” ou “Leão” - esta forma pouco comum em português, mas não impossível. Uma curiosidade que deriva disso é que, pelo nome de Semion não ter ainda a forma russa tradicional quando seu filho nasceu, este foi primeiramente chamado “Lev Simkhovitch Vigodski” (Лев Си́мхович Вы́годский)